29 de setembro de 2016

RESENHA: Lick - Kylie Scott (Stage Diver's #1)

 Lick - Kylie Scott

Adorei. Um dos livros que mais aproveitei a leitura, este ano, dentre todos os gêneros. É bem previsível como todo livro de romance mas bem gostoso de ler. A escrita da autora também contribui. Os eventos são bem conectados.

Evelyn Thomas (nem preciso dizer que amei o nome) é uma jovem de 21 anos, prestes a começar a faculdade de arquitetura que resolve antes do início das aulas e para comemorar seu aniversário fazer uma viagem a Vegas. Ela exagera na bebida e acorda um dia, de ressaca, casada com David Ferris e sem memória sobre o acontecido. 

Mas David Ferris não é um cara qualquer. Tem 26 anos e é o guitarrista e compositor de uma das bandas de rock mais famosas na atualidade. O Stage Divers. Ou seja, o plano dela de deixar isso de lado, anular o casamento e seguir com a vida não vai ser tão fácil como esperava. Sua vida vira de ponta a cabeça e ela tem que encarar os problemas como uma adulta.

A maneira como Evelyn e David vão se "conhecendo" eu achei bem legal. A atração entre os dois é clara e crível. As conversas são tranquilas e  fica claro a diferença de idade e mentalidade. Ela uma garota que nunca tinha ido muito longe de casa e ele um rapaz, que apesar de novo, já passou por muitas coisas.

Cada vez que eu lia "Evelyn" me sentia a própria protagonista. O personagem de David é muito envolvente. Ele não é exagerado. Não tenta controlá-la o tempo todo como alguns protagonistas de romances parecidos, mas também não é daqueles que mudam radicalmente e se tornam cachorrinhos.

A maior parte dos "problemas" é por conta da teimosia e uma dose de insegurança dela. Em nenhum momento eu vi David fraquejar. Ele se mantém decidido a manter-se casado desde a primeira conversa sincera dos dois. Mas as reações dela são compreensíveis. Quem não ficaria com um pé atrás, sendo uma garota comum, ao ouvir um astro do rock fazer juras de amor tão pouco tempo depois de se conhecerem de verdade?

Os personagens são bem humanos. Os demais inclusive. Não há personalidades "forçadas". É tudo muito verossímil. Gostei muito do Mal. Quero ler o livro dele para ontem, para minha sorte é o segundo da série. Para quem gosta deste tipo de literatura é uma boa pedida. As cenas de sexo são bem colocadas, e num livros de mais de 400 páginas poderiam acabar sendo excessivas, mas não são.


25 de setembro de 2016

RESENHA: Entre a Ruína e a Paixão - Sarah MacLean (O Clube dos Canalhas #3)

Entre a Ruína e a Paixão - Sarah MacLean

Um melhor que o outro! Depois de ler a sinopse e algumas resenhas, achei que não ia gostar desse já que a mocinha é vilã também. Mas pelo contrário! Adorei ela mas que as outras.

Quero um brutamontes desse para mim. Temple é fantástico. Eu gostava dele já nos outros livros, mas não pensava ser possível ele ser tão encantador, e nobre! Sim ele é um duque e isso já era conhecido, mas dentre os 3 que já conhecemos ele é aquele que se porta mais como nobre quando fora do Anjo.

Mara tinha tudo para ser odiada. E realmente é uma das personagens mais julgadas pelos leitores. Eu vi além. Ela errou em seu passado? Sim, errou. Mas era uma menina de 16 anos completamente apavorada e com nada mais que um irmão mais novo para ajudá-la. O que aconteceu não foi de todo proposital. 

A vida a fez se tornar uma mulher forte e decidida. Ela sabe o que precisa fazer para viver e para que seus agora protegidos não se percam. O trabalho dela é muito bonito. Aliás, eu cheguei a pensar que um dos meninos era filho do Temple mas me decepcionei. São vários os mistérios!

Adoro como essa autora dá voltas e não deixa nada previsível. É bom, para variar um pouco, não ter certeza absoluta do que vai acontecer. Fiquei boquiaberta com as revelações sobre Chase. Já desconfiava, mas torcia para estar errada e lá no fim o tabefe, Vai ser um livro incrível.

Voltando ao casal desse. Gostei muito da maneira como eles vão se conhecendo. Ele quer a vingança dele, ela quer a segurança do orfanato. Se gostam mas não admitem. O passado torna isso difícil. Achei que seria complicada, forçada até essa aproximação deles. Mas a criatividade da MacLean não conhece limites e tudo parece natural, cabível. 

Me apaixonei pelos dois Torci pelos dois. E apesar de ela dar motivos para ser considerada a pior mocinha da história dos romances, eu não a classifico assim. Ela tem muito mais valor que as dondocas que às vezes figuram esse papel.


21 de setembro de 2016

RESENHA: Beast - Sam Crescent & Jenika Snow (The Soldiers of Wrath MC: Grit Chapter, #1)

Beast - Sam Crescent & Jenika Snow


Tragicamente horrível. Esse livro chegou às minhas mãos sem querer. Que morte horrível. Eu gosto de livros hot, mas esse é pornografia pura, sem mais nada.

Posso dizer que tenham tido 3 passagens em todas as 118 páginas que foram bem escritas. O resto é uma confusão de ideias mal-exploradas.

Beast é o apelido de um cara que não sabemos o nome que faz parte de uma gangue de motoqueiros. Tem cabelos escuros e muitos músculos, é grosso e mandão o tempo todo, mesmo quando "tenta" ser carinhoso. 

Bridget é uma garota que apesar de já estar na casa dos 30 anos é de uma inocência e ingenuidade alarmantes. Dona de peitos e bunda avantajados, se veste de maneira provocante pois o ex-namorado gostava assim. (Personalidade 0)

Se conhecem desde a adolescência e ela sempre foi apaixonada por ele (embora fique claro que ele sempre agiu como um cavalo com ela) mas por serem "irmãos" nunca se declarou. (o pai dele casa com a mãe dela.)

A história começa com ela em fuga (lembrei muito de outro desastre hot literário (Colter's Woman - Maya Banks), ela testemunhou o que não devia em seu antigo emprego e agora a querem morta. Ela vai atrás de Beast pois ele é a única pessoa que ela conhece que pode de algum modo mantê-la viva. Nem 10 minutos de conversa e ela, uma quase virgem, já está se submetendo aos comandos e caprichos de Beast. 

Ao ler a sinopse o livro parece ter potencial. Mas fica só na promessa. Os diálogos são pobres, as razões que movem as ações dos personagens deixam a desejar, não são críveis em sua maioria. Os personagens principais se contradizem em vários momentos. As cenas de sexo que poderiam salvar esse livro são repetitivas e longas. Muita conversa, muita pompa e decisões escrotas.

Tudo acontece em questão de dias. Tudo bem que vários livros desse gênero se encaixam nesse período de tempo, mas falta um mínimo de nexo aqui. Ouso dizer que Colter's Woman perdeu seu posto de pior livro já lido até o fim por mim. Esse roubou a posição.

Fico estupefata que tenham sido necessárias duas pessoas para escrever esta merda. O pior é que agora eu fico com receio de tentar outras leituras dessa dupla. São tantos títulos que já deveriam ter aprendido a escrever melhor. 


17 de setembro de 2016

RESENHA: Entre a Culpa e o Desejo - Sarah MacLean (O Clube dos Canalhas #2)

Entre a Culpa e o Desejo - Sarah MacLean


Magnífico. Um dos melhores do gênero dentre os que li esse ano. Totalmente diferente do primeiro volume dessa série. Ambos os protagonistas são bons personagens e os demais, apesar de não aparecerem tanto tem ótimas passagens.

Philippa "Pippa" Marbury é considerada estranha. Ao contrário das moças de sua idade e de suas irmãs ela ama a ciência e tem uma visão analítica de tudo. Tudo o que acontece ao seu redor tem que passar por suas lentes minuciosamente. Com seu casamento vindouro não seria diferente. Ela precisa entender o que é ser leal aos votos matrimoniais antes de se comprometer com algo tão sério.

Cross, por sua vez, é um dos donos do Cassino Anjo Caído. Sendo assim é um homem que é visto como uma lenda entre as mulheres, tem muito dinheiro, um título de nobreza que ele não faz questão de ter e uma reputação nada nobre. Carrega uma culpa antiga que o afasta da sociedade (assim como o Marquês Bourne no primeiro livro.)

Ao contrário do livro anterior, aqui tudo funciona bem. Os personagens tem química, os problemas são compreensíveis, há muitas reviravoltas e apesar de estarmos diante de duas mentes inteligentíssimas o romance é bem emocional (e físico). Há a presença de debates que só mentes afiadas podem ter mas quando o emocional entra em jogo eles são tão intensos quanto nos embates entre cérebros.

Há um vilão, mas pode-se dizer que o que mais dificulta as coisas é a teimosia de cada um. Vários personagens tentam ajudá-los a contornar os obstáculos e a entenderem que se amam e são perfeitos um para o outro, mas a teimosia em não sair do "plano" é que se estende por mais tempo. 

O vilão em questão é o dono de outro cassino, o Knight. Fica claro que eles tem um passado, mas nada é explicado de verdade. O cara cria um esquema para forçar Cross a casar com a filha dele e quase consegue. Nesse livro, ao contrário da maioria, quem salva o dia é a mulher. Amei isso. 

O engraçado é que  noivo de Pippa que não era ninguém para nós leitores, se torna um personagem querido ali nos últimos capítulos. Ele pode até não ser tão inteligente quantos os dois, mas mostra que merece uma noiva que o ame. E que grande parte do seu comportamento nos eventos sociais são mera interpretação. Fiquei muito contente com o final que a autora destinou a ele. Caso não fosse desse jeito, mereceria um spin-off ou ao menos um conto.

Esse não teve um prenúncio do que está por vir, só que é o livro de Temple. E depois do papel que ele teve para reunir esse casal, torço uma moça menos complicada que Pippa e mais interessante que Penny. Foi bom também ver um pouco de Chase. Ele tem potencial para se tornar meu canalha preferido.


16 de setembro de 2016

RESENHA: Entre o Amor e a Vingança - Sarah MacLean (O Clube dos Canalhas #1)

Entre o Amor e a Vingança - Sarah MacLean

Uma história boa. Dentro desse universo dos romances históricos foi uma narrativa um pouco adversa ao que eu costumo ler pelo motivo de priorizar uma cena menos glamurosa. (Embora esse fator tenha sido o que me chamou a atenção quando li a sinopse)

Por se tratar de canalhas eu sabia que o protagonista seria cheio de defeitos, mas honestamente, não encontrei qualidades também. Michael está cego por vingança e decidido a fazer o que for para conseguir alcançar o que quer. Mas por grande parte do enredo, nada do que ele faz tem justificativa por pior que seja. Ele não parece estar disposto a adaptar os próprios planos para que sua meta se realize.

Já Penélope, no início, é uma mosca morta. Ela demorou bastante para se provar digna de ser a mocinha de um romance. Custou para eu entender a escolha das características dela por parte da autora. A garota passou, literalmente, 8 anos da sua vida sentada esperando que o grande amor dela retornasse. Podia ter corrido atrás.

Eu esperava um pouco mais de emoção. Michael faz promessas a ela no início e confesso que passei toda a leitura aguardando certas aventuras que não aconteceram. Embora tenha que concordar que as melhores cenas foram as de dentro do tal clube, o "Anjo Caído".

Esse foi mais um livro em que os coadjuvantes me conquistaram mais que o casal principal. As irmãs de Penny, Olívia e Pippa foram muito mais intrigantes e cativantes que a irmã mais velha mesmo só tendo aparecido em um punhado de páginas. Os diálogos entre elas quando saem para patinar ou no jogo de adivinhação foram hilários e mordazes. Eu me vi mais interessada em arrumar pretendentes para elas que ver P & M se resolvendo.

O melhor capítulo? O último, quando vemos o rumo que o segundo livro vai tomar. E tem potencial para ser incrivelmente melhor que este. O pior capítulo? O penúltimo. É uma rasgação de seda entre os dois quando eles finalmente percebem que se amam e que não querem viver sem a presença do outro. Fiquei inconformada em como a autora deixou Michael sentimental. Ficou forçado a maneira como ele fica meloso para cima dela. Perdeu toda a sagacidade. Sei que "o amor faz milagres", mas forcemos menos.

Cadê o segundo? Pippa e Cross.. já!

14 de setembro de 2016

RESENHA: Crescendo - Becca Fitzpatrick (Hush Hush #2)

Crescendo - Becca Fitzpatrick

Interessante. O início é um verdadeiro martírio, o que me lembrou porque protelei tanto a leitura desse segundo livro da série. A mística da história e os enredos paralelos são muito mais interessantes que a parte principal.

Nora Grey é tão chata, infantil, egoísta, mimada, controladora, mandona e abusada que me revolta. Por vezes quis largar a leitura por conta dessa enjoada. Sério, a protagonista já era ruim, mas aqui fica insuportável. Confesso que desejei que ela morresse.

Patch é meio sem noção. Como um anjo pode ser tão paspalho eu não sei. Tudo bem que a descrição física do sujeito é de dar suspiros, e que ele tem os seus momentos, mas a única explicação para ele ter se apaixonado por ela e arriscar a própria existência para ficar junto dela é retardo mental.

Vee é uma pobre garota sem autoestima nenhuma. Ela passa o livro todo sendo motorista e empregada da dondoca da protagonista. Isso não é amizade é escravidão. E quando você acha que ela vai se dar bem, e começar a ter uma vida própria, dá merda. 

Scott foi mal aproveitado. Era um personagem que prometia e merecia mais coisas. Ele poderia ter se tornado uma figura mais imponente do que apenas mais um adolescente bobalhão que acaba fazendo o que a criatura quer. Não me conformo com o seu final.

Até Marcie é melhor que a Nora. Por mais de uma vez eu torci por ela em detrimento da protagonista. Ela sim tem personalidade e age mais de acordo com a idade (mesmo com a tendência a piranhagem) que Grey, que por vezes tem crises dignas de meninas de 11 anos.

Por que eu dei 4 estrelas em vez de -4 como a garota merece? Por causa dos outros personagens, dos plot twists que flertam com as novelas mexicanas, das cenas de ação, dos enredos paralelos e da promessa deixada pelo último capítulo. Se você tirar todas as passagens em que a Nora fica chorando e se fazendo de vítima, a história é ótima!

Definitivamente lerei o seguinte, não pela sonsa, mas pelos demais. Com um final digno de season finale da CW, eu preciso saber o restante da história. Não é uma leitura de todo ruim, dá para engrenar uma sentada longa, e ao contrário da grande maioria, nesse você torce pelo próximo infortúnio da rebelde sem causa.

Não tem nenhum livro não lido na estante, já leu o primeiro e achou esse na rua? Pode ler. Caso contrário, continue procurando na estante.

9 de setembro de 2016

RESENHA: A Rainha Normanda - Patricia Bracewell (Emma da Normandia #1)

A Rainha Normanda - Patricia Bracewell


Ótima leitura. Um must read para quem curte enredos históricos com liberdades poéticas. É um trilogia (Sim, entrei pelo cano mais uma vez) e retrata os primeiros anos de Emma da Normandia como Rainha da Inglaterra.

Adoro essas narrativas como uma forma de preencher lacunas. Muitos não gostam e acham tudo muito fantasioso mas para mim é muito interessante. Os relatos sobre essa época são muito escassos, então nos resta tentar criar hipóteses para corroborar o pouco que se tem documentação.

Emma é retratada como uma menina forte e ciente do que precisa fazer. Ela encara de frente o casamento com um rei notoriamente mau, violento e dado a surtos, enteados que a odeiam e uma corte que encara estrangeiros com muitas ressalvas e pouca animosidade. 

Nada se tem documentado acerca das mulheres dessa época, apenas meia dúzia tem seus nomes citados em registro, mas elas tem grande destaque na narrativa de Patricia. Além de Emma, temos também o ponto de vista de Elgiva, a filha de um dos condes mais influentes da época que com certeza deve ter tido grande participação na corte. Além delas, os capítulos também contam com o ponto de vista do Rei Althered e de seu filho mais velho Althestan. 

Seguindo os rumores e poucos registros vemos um rei que apesar de ser novo tem uma aparência envelhecida, desconfia de tudo, prefere ser temido a adorado e respeitado e é atormentado por visões (que para mim pode ser algum distúrbio psiquiátrico, já que não seria o primeiro membro da realeza inglesa a ser lelé). 

Althestan por sua vez é retratado como um jovem que tinha certeza absoluta de seu futuro até a chegada da rainha. Althestan cresce vertiginosamente nesse relato. De um rapaz com ares de prepotência e arrogância a um jovem adulto ambicioso que flerta com a cautela. 

Não se sabe bem a data de nascimento de nenhum deles, mas é quase certo de que ele e Emma tivessem idades próximas, por isso achei interessante a maneira como a autora trabalhou o relacionamento deles. Numa época em que além de caçadas, jantares, caminhadas no jardim e missas, os jovens não tinham muito o que fazer acho bem provável sim, que Emma e Althestan tenham se envolvido.

O livro termina no início de 1005. O reinado de Emma ao lado de Althered (claro que eu fui pesquisar para saber mais dela) vai até 1016 e ao lado de Cnut até 1035, portanto tem muita coisa para acontecer ainda e eu acho que 3 livros vai ser pouco. Podem vir mais 5, 8, 12 que eu compro e leio.


Recomendado para quem não tem problemas com desvios da realidade.

4 de setembro de 2016

RESENHA: A Escolhida - Lois Lowry (The Giver #2)

A Escolhida - Lois Lowry

A única coisa que liga este ao livro 1 é a maneira como se devora as páginas. Muito bom. Um mundo totalmente diferente do anterior. Ambos se passam em algum momento no futuro, mas o vilarejo de Kira poderia muito bem ser alguma periferia desse nosso Brasil. Os papeis e sentimentos são os mesmos.

Kira é uma adolescente que acaba de perder a mãe para uma doença misteriosa. Seu barraco teve que ser queimado para evitar que essa doença se espalhasse e depois de cumprir o tempo de luto se vê sem ter para onde ir e com uma acusação por parte de uma vizinha invejosa que quer o terreno onde seu casebre ficava.

Além disso tudo, ela nasceu com um defeito em uma das pernas que faz com que a garota a arraste e precise de um cajado para andar. Ela é salva no julgamento devido a seu talento para bordar. Seus bordados são os melhores que muitos dos anciãos já viram na vida. Sua vida muda drasticamente. Ao que tudo indica para melhor.

O livro só começa a ficar realmente interessante depois desse momento, cerca do terceiro capítulo. O primeiro me prendeu desde as primeiras linhas. Nesse momento conhecemos Thomas, outro adolescente, ou 2 sílabas como as pessoas do livro falam, que mora no fim do corredor e assim como Kira, tem um talento acima da média. Ele é entalhador e faz milagres com madeira. Fiquei com pena de ele não ter sido tão explorado. O personagem tem potencial mas fica pelas beiradas, a autora poderia ter nos presenteado com mais um pouco de Thomas.

O terceiro personagem que mais aparece é Matt. Uma criança, ou pequeno, ou um de 1 sílaba. Ele é travesso, mora no Brejo, está sempre com fome, sujo porque não gosta de tomar banho e muito ligeiro. Está sempre acompanhado do cachorro, Toquinho. Me afeiçoei muito a esse menino. Se fosse de verdade traria para casa. 

A história segue os três descobrindo as coisas, cada um a sua maneira, desvendando os mistérios do vilarejo e o qual exatamente era ou seria o papel de cada um deles nesse mundo estranho. Um lugar que não aceita ninguém com defeitos e mesmo assim é bem deficiente. Não há a impressão de ter pessoas ricas, mas somente pobres, mais pobres e paupérrimos. Cada um tem sua função e nada muda. Apesar das revelações no final não é bem definido quem manda e quem desmanda. 

Assim como no 'Doador de Memórias' a história termina quando a personagem descobre o que tem que fazer. Há o sinal de algo mudou, mas não vemos essa mudança. Será que deu certo? Será que o planejamento dela falhou? 

O nome original, em tradução literal seria 'Buscando o azul' e preciso dizer que tem muito mais a ver com o enredo que "A Escolhida". O título em português fica parecendo que apenas ela tem um papel importante dentro desse universo, mas o que vemos é que há bem mais que isso.



2 de setembro de 2016

RESENHA: O Doador de Memórias - Lois Lowry (The Giver #1)

O Doador de Memórias - Lois Lowry

Impressionante. Senti desconforto ao ler esse livro. Já tinha assistido o filme, mas confesso não lembrar de muita coisa, apenas vislumbres e a sensação de angústia durante todo o tempo. Não consegui largar o livro. Fui dormir pensando nesse universo estranho e complicado, acordei com ele na cabeça e passei o dia querendo saber mais. 

No livro o personagem que narra é Jonas, um garoto de 11 anos que está prestes a receber sua atribuição. Nessa sociedade cada ser humano recebe ao chegar aos 12 uma atribuição que lhe é designada por um conselho de anciãos. Só há um guardião de memórias nessa sociedade, e ele é o escolhido para substituir o atual.

Há muitas características nesse universo que fazem o leitor considerar esse mundo bom. Em vários momentos eu me vi cogitando e avaliando de forma positiva as atitudes dos personagens. Viver em um lugar em que não há problemas sociais, políticos e econômicos. Tudo é permeado por harmonia e todos tem seu lugar na sociedade, sendo crianças, adultos ou idosos. 

A partir do momento em que ele recebe sua atribuição acompanhamos sua evolução, seu crescimento. Ele começa a vislumbrar a vida adulta e deixar as coisas de criança para trás, mas sua posição nessa sociedade representa uma grande solidão. Por um lado manter as pessoas alheias às coisas ruins que o mundo vivenciou é bom pois retira todas as possíveis fontes de sofrimento, seja psíquico ou físico. Mas por outro, há toda uma gama de coisas boas e densas que ficam de fora da vida de todas. 

Não há guerras, bom. Não há amor, ruim. Não há fome nem frio, bom. Não há cores nem melodias, ruim. Aos poucos ele começa a entender porque que o doador, nome que ele usa para chamar o atual guardião, é tão angustiado. Mesmo dando nome à série e ao livro não o considero o principal. 

O desfecho não é nada do que eu esperava. Ainda mais porque não dá para saber o que acontece de fato. E o próximo livro não parece ser exatamente uma continuação. Pela sinopse é outro mundo distópico, será que nunca saberei o que acontece depois daquele final? 

Mesmo assim...




1 de setembro de 2016

RESENHA: Segredos de uma Noite de Verão - Lisa Kleypas (Wallflowers #1)

Segredos de uma Noite de Verão - Lisa Kleypas

Um bom passatempo. Não é o meu preferido da autora, mas foi  bom o suficiente para me fazer querer continuar a ler a série. Mocinha mediana, mocinho arrasador. Me apaixonei  por Hunt.

Uma das coisas que mais gosto em Lisa é que ela revisita cenários e nesse livro puder ver que repete personagens também. Quem nunca leu um romance e gostaria que o personagem X ou Y tivesse mais espaço? Acho que todos que leem esse gênero já passaram por isso.

Annabelle Peyton não é meu tipo de protagonista preferida em romances. É diferente do usual pois é uma caça-títulos assumida. Está em sua quarta temporada, tem 25 anos e passa todo o tempo nos bailes sentada junto às solteironas enjeitadas. Para uma garota que não tem dote ela é muito afetada para o meu gosto.

Concordo que ser pobre não significa que ela deva aceitar qualquer coisa ou qualquer proposta, mas ela almejava de fato apenas a aristocracia inglesa. No livro não fica explícito exatamente qual a posição que o pai dela tinha na sociedade. a mãe é uma frívola que para manter certas regalias sucumbe aos avanços de um nobre rico e patético que a quer como amante.

Simon Hunt é um perfeito exemplo de emergente. Conserva todas as características de um bronco, tendo em vista que é filho de um açougueiro, mas devido ao talento para finanças, faz fortuna sozinho e se torna dono de várias indústrias essenciais para os avanços econômicos da época. Ele é decidido e um tanto teimoso mas respeitador. Gostei muito de como ele foi quebrando, aos poucos, o muro que Annabelle erguei em volta de si mesma para evitar desviar de seu plano. 

Dentre as mocinhas que fazem o pacto de se ajudarem a arrumar maridos, ela é a única que não gostei. Minha preferida foi Lilian, a personalidade dela é a que mais me agrada, e agora que sei quem é o par dela, mal posso esperar. Creio que o livro deles tenha potencial para superar o meu preferido dos Hathaway's.

É um livro bem cheio de clichês. O diferencial talvez seja que o livro não termina com o casamento deles como na maioria, continua com alguns eventos até que eles finalmente se dão conta do que pensam um do outro. Algumas passagens interessantes outras bem encheção de linguiça mesmo. Precisei insistir e me controlar para não pular algumas páginas...