31 de março de 2016

RESENHA: Retrato do Meu Coração - Patricia Cabot (Os Rawlings #2)

Retrato do Meu Coração - Patricia Cabot


Demorou a me conquistar. Perto do Livro 1, esse é bem mais ou menos. A história é até bem interessante por si só, os acontecimentos e reviravoltas, mas os personagens principais não são exatamente cativantes.

Adoro os livros da Meg escrevendo com Patrícia, mas o Duque de Rawlings consegue ser mais irritante que a Emma de Pode Beijar a Noiva. Mais uma vez os detalhes da época, as descrições dos costumes, roupas, ambientes é um primor. Muito bem escrito, mas falta carisma ao personagem principal.

Maggie é uma ótima personagem desde que aparece ainda aos 16 anos. Uma menina moleca que demora a se dar conta de que cresceu. Quando há a passagem de tempo se mostra uma mulher feminina, ciente de si mesma e com a mesma determinação e coragem demonstrada ainda na adolescência.

Ela é filha do administrador da família de Jeremy, cresceu junto a ele, portanto apesar de não ser nobre tem boa educação. Mesmo que seja rebelde e se torne artista. Já ele é mulherengo, encrenqueiro, violento e tudo mais que descreva um nobre bon vivant e sem noção. Não há nada que convenceria de que ele é um protagonista por quem as leitoras torceriam.

A primeira interação deles como adultos mostra todos os defeitos dele e evidencia uma mentalidade bem homem das cavernas que eu só tinha visto ultimamente em alguns personagens de Abbi Glines. Ele tem tudo para ser um antagonista de romance vitoriano e não o "mocinho".  Ele é o perfeito canalha, mas não se reforma. É turrão até o fim. Não dá o braço a torcer é mesmo com 26 anos mais parece um menino mimado. Um ogro total sem nenhuma característica gentil. Não gostei, e por ser descrito como "peludo", conheço muitas meninas que o detestariam.

As cenas íntimas me incomodaram um pouco. Me pareceu, ao menos nas primeiras, que ele forçou demais a barra para que ela cedesse. Não foi um curso natural. Sim ela gosta dele, sim ela quer, mas claramente tem dúvidas e receios por estar noiva de outro e por ser virgem. Mas ele ignora tudo isso e continua insistindo e a coagindo para que as coisas sigam o rumo e ritmo que ele quer, exatamente como ele aparenta ter sido por toda a vida em outros setores da vida.

Mas ainda assim classifiquei a leitura como 4 estrelas no skoob. Tudo graças ao enredo muito bem delineado, à participação de Edward e Pegeen, aos amigos franceses de Mags, ao mordomo, valete e dama de companhia que se mostraram coadjuvantes impagáveis e foram a fonte das risadas que dei lendo essa história.  As histórias paralelas também ajudam bastante na leitura, pois se dependesse só da fixação doentia que Jerry tem e da negação constante de Mags eu teria ou demorado mais de um mês, ou largado de vez a leitura. 

Enfim... é bom, mas nada extraordinário e suspirante.

29 de março de 2016

RESENHA: As Garotas da Fábrica - Leslie T. Chang

As Garotas da Fábrica - Leslie T. Chang

A princípio era para eu ter terminado este livro para a Maratona de Pascoa, mas não deu tempo e foi uma leitura que valeu a pena ser feita com calma. Mesmo que desse para ler muitas páginas seguidas, me fiz parar para poder assimilar o que foi lido. 

Definitivamente não é uma leitura a ser feita apenas por prazer. É uma compilação primorosa do retrato econômico da China durante o século XX e agora XXI. Quando li a sinopse logo que lançou fiquei com a impressão de que seria uma narrativa envolvendo apenas as vidas das chinesas que trabalham nas fábricas. Mas vai bem além disso, 

Trata dessas meninas, das vidas delas tanto dentro como fora da fábrica, fala da família da autora, e portanto há uma boa dose de história. Seu avô foi um migrante como as meninas, foi estudar nos Estados Unidos e depois voltou para a China. Mas sua trajetória pessoal e seus objetivos e foco era totalmente diferente e ver essa mudança no pensamento dos jovens num espaço de 100 anos foi incrível e educativo.

Durante a leitura dá para se ter uma visão da vida de várias gerações em diferentes etapas de suas vidas e como a visão de "comunidade" de cada indivíduo interfere em como toda a nação avança. O nacionalismo típico de países com uma visão politica esquerdista existe mas ao mesmo tempo é sensível como a maioria prefere (conscientemente ou não) não pensar no sofrimento que passaram.

Uma das partes que mais me prenderam a atenção e me surpreenderam foi quando ela explica como se dá as relações de trabalho. Como não importa em que esfera a pessoa esteja inserida, a visão é a mesma. Eu tinha a impressão, pelos filmes, livros, e outras coisas a que tive acesso de que a população em geral era honesta e que houvesse em certo grau uma insatisfação geral com as condições de trabalho. Mas na verdade não é tão intenso assim. Há corrupção e muita. Tanto entre patrões como entre empregados. 

As meninas do interior, não são nada bobas. Dariam volta em muita menina da cidade aqui do ocidente. São determinadas, sabem o que querem e não medem esforços para obter isso. Desde o início sabem que não podem contar com ninguém mais além delas mesmas e que independente da fábrica que trabalham, sejam as 'boas' ou as 'ruins', ninguém vai ter a vida facilitada. 

Ao fim da leitura me vi tendo grande admiração por algumas personagens reais desse livro, mas duas delas apareceram bem pouco e ainda assim foram as que mais me impressionaram. A avó e uma das tias, Irene, da autora. A avó de Chang, percebi eu, foi uma mulher de fibra, coragem, segura de si e que não se deixava abater. Criou 5 filhos sozinha, só isso já é razão para minha admiração, mas também em meio a uma China inconstante soube o que fazer e não titubeou em nenhum segundo para garantir a segurança e o futuro de cada um de seus filhos. 

Impressionante.

26 de março de 2016

RESENHA: Aprendendo a Seduzir - Patricia Cabot



 Livro 1/2
Aprendendo a Seduzir - Patricia Cabot

Uma graça. Herói e mocinha super cativantes, antagonistas detestáveis. Enredo previsível mas muito bem construído. Todos os ingredientes para quem ama o gênero. Mas confesso que achei que as aulas seriam diferentes. Estava esperando uma Caroline menos inocente e um Braden menos suscetível.

Caroline tem 21 anos e como toda garota com algum resquício de nobreza inglesa do século XIX é extremamente ingênua e alheia ao que se passa fora da esfera familiar. Braden é um novo rico, rapaz pobre que passou maus bocados e teve problemas com a lei na juventude que graças ao seu intelecto vence na vida.

Os antagonistas: Jacquie é bem vulgar ao meu ver. A descrição que temos dela não a favorece em nada e não consigo ver como ela poderia ainda ter espaço na sociedade. Hurst é um bobalhão. Ele é descrito como dono de uma grande beleza mas não consegui identificar uma única outra característica que o tornasse atraente. Um verdadeiro idiota.

O irmão de Caroline, Thomas é o típico garoto rico de 19 anos. Inconsequente e sem noção nenhuma do que suas ações podem causar até que seja tarde. Mas gostei dele. Teria sido interessante ver mas dele, e eu shippo ele e a amiga da Caroline, Emmy. Seria um par inusitado mas com potencial. Já Emmy é uma sufragista, meiga, inteligente e sempre a postos para ajudar sua amiga. Mesmo que viva se metendo em encrenca por ser uma ativista.

É um livro leve, com um toque de aventura. Como os romances do gênero há cenas íntimas, mas elas são bem colocadas e tem tudo a ver com a proposta do enredo, elas não se perdem nem aparecem sem propósito algum como em romances mais picantes. É uma boa escolha para quem gosta de Meg Cabot, romance histórico e risadas ocasionais. 

Meu único revés é a tradução. Algumas coisas me desagradaram como o excessivo uso de termos em inglês quando temos o correspondente em português ou quando algo parecido já foi usado em português. A tradução usa Sua Senhoria, mas usa Your Grace. Não faz sentido. Infelizmente muitos typos e nomes de personagens escritos errado (ex: Braden vira Bradlen), não atrapalha a leitura, mas frustra quem é perfeccionista. Portanto fica a dica para que for comprar o livro com a capa nova, se atentar para ver se houve nova tradução ou ao menos uma revisão ou se só trocaram a capa.

24 de março de 2016

RESENHA: O Amor Me Trouxe de Volta - Carol Bowman

O Amor Me Trouxe de Volta - Carol Bowman

Reconfortante. É a palavra mais adequada para se descrever esse livro o que ele pode fazer por quem lê. Se você não acreditar em reencarnação pode parar aqui mesmo. As histórias contidas nesse livro só te propósito para quem tem a mente aberta.

Carol Bowman é uma mulher que começou a investigar o fenômeno da Reencarnação após presenciar relatos de seu próprio filho que não tinham outra explicação. Em O Amor Me Trouxe de Volta ela reúne histórias bastante convincentes sobre retornos dentro da mesma família, seja pulando uma geração, ou invertendo papéis ou até mesmo mantendo os mesmos parentes diretos.

Entre casos em que além de sinais físicos (como uma cicatriz causada por doença, ou uma doença que se cura após o entendimento e aceitação por parte do espírito até lembranças vívidas da vida anterior ou até dos meses que antecedem o nascimento mas em que o espírito já escolheu sua família (lembranças vívidas de coisas ocorridas com os pais e parentes quando o corpo físico ainda se desenvolvia no útero). Comunicação entre falecidos e vivos por meio de sonhos, cheiros, sons que anunciam seu bem-estar ou seu retorno próximo também tem espaço. 


Alguns relatos são bem arrepiantes e ao menos à minha pessoa foram suficientes para me fazer pensar sobre minha própria existência, infância, família e experiências. Por que estamos aqui, para onde vamos, por que nossos pais são esses, por que alguns parentes se tornam tão próximos e outros não. Por que um pai ou uma mãe, mesmo 'amando igualmente' todos os filhos, tem mais afinidade com apenas um e não com todos.

Carma? Por que algumas pessoas encaram a palavra com tanta negatividade? A criatividade é infinita, e portanto as maneiras de reparar algo também. Nada precisa ser "pago" na mesma moeda. (Até porque se fosse assim, espírito algum seria capaz de evoluir). 

Enfim, da próxima vez que um pequeno disser a você: Quando era grande eu fazia 'isso' ou 'aquilo', deixe-o falar, você pode se surpreender. 

21 de março de 2016

RESENHA: Encontrada - Carina Rissi (Perdida #2)

Encontrada - Carina Rissi

Fico feliz de ter insistido já que tinha perdido a empolgação para ler essa continuação. Gostei mais desse do que de Perdida. Talvez porque 80% das minhas críticas ao comportamento de Sofia tenham sido resolvidas aqui. 

Ian também mudou, para melhor. Por alguns momentos e esqueci que ele era um jovem de 21 anos, mais novo que a protagonista. Tão sério, centrado, justo e maduro. 

Apesar de irritante, a tia Cassandra foi um ótimo adendo ao enredo, e contribuiu muito para  crescimento de Sofia como pessoa e esposa. A realidade de estar agora vivendo em 1830 começa a entrar naquela cabeça.

Elisa e Teodora continuam sendo como sempre, e fiquei muito contente de ver Teodora encontrando o amor que merece apesar dos percalços, e Elisa bem encaminhada com uma ajudinha bem atrapalhada da protagonista, mas confesso que ler a sinopse de Destinado me deixou preocupada. Elisa não merece problemas! O padre. Padre Antônio é turrão mas eu adoro ele, desde o início. Quero muito que ele continue aparecendo. Seja dando conselhos aos personagens ou sermões.

Adorei como o cotidiano da casa foi explorado, como a vida no vilarejo, mesmo que discretamente foi explorada. Concedeu mais sentido e ordem à história, porém continuo sentindo falta de nomes. Onde no Brasil a história se passa de fato. É muito estranho não conseguir localizar mentalmente onde a história realmente se passa ainda mais sendo em meu próprio país. 

Outra das minhas reclamações anteriores que teve uma explicação foi a ausência da escravidão. Carina Rissi explica no final que foi uma opção consciente deixar de fora esse pedaço horrendo de nossa história. Pensando sobre, realmente acho que Sofia nunca ficaria de bom grado em um século e numa casa em que houvesse escravos.

No geral achei a história bem desenvolvida e muito engraçada. Há muitos trechos que podem nos levar facilmente às gargalhadas. Mesmo as partes tensas tem algo de leve nelas. Decididamente uma boa leitura para o momento atual.

9 de março de 2016

RESENHA: A Herdeira - Kiera Cass (A Seleção #4)


DESAFIO LITERÁRIO DO SKOOB
03/12 - Livro escrito por mulher

A Herdeira - Kiera Cass

Interessante. Mas só. Quando soube que a Kiera tinha escrito mais livros para a 'trilogia' fiquei com o pé atrás. Mas como sempre, não gosto de deixar série inacabada então aceitei o desafio.

Logo no início da leitura eu até considerei o enredo promissor, mas para minha decepção não passa disso, uma promessa. Há passagens bem legais, do tipo que te fazem grudar nas páginas, mas o fato de a protagonista ser tão desagradável mina qualquer oportunidade de melhorar.

O engraçado é que ela diz em algum momento que não entende como uma pessoa tão maravilhosa como a Madame Marlee pode ter tido filhos tão odiosos como Josie e Kile. Pois o que acontece é que Maxton e America que são um casal super fofo e apaixonado teve ela. Uma menina mimada, egoísta, vitimista e carente. 

Fiquei decepcionada por não ter cenas só entre os garotos, assim não tivemos a oportunidade de conhecer melhor eles. Mesmo sem isso, tive por várias vezes a impressão que um ou outro faria ela mudar um pouquinho de atitude, que ela se abriria de verdade e talvez se apaixonasse.

Tinha adorado os irmãos. Mas o final mostrou que ao menos Ahren é tão egoísta e infantil como ela. Ele teve motivos para fazer o que fez, mas como membro da realeza e namorando uma futura rainha, deveria ter mostrado um pouco mais de diplomacia. Ele só pensou nele e não é a toa que acontece o que acontece com a Rainha America.

Não sei se fui só eu, mas achei que o final não pareceu um final. Eu sei que ainda tem um quinto livro, mas terminar como terminou ficou com a impressão de ser o meio do livro. Aquele momento onde o protagonista tem uma epifania que muda totalmente seu destino.  Mesmo que essa tenha sido a intenção (não sei) da autora, de ter uma protagonista com mais cara de antagonista, cheia de defeitos, faltou mostrar mais o que faz dela uma boa personagem principal. [Spoiler grande a seguir]

Achei que ela  ia e apaixonar por Erik e sei lá, acabar com a Seleção ou então colocá-lo na disputa mesmo que 'extra-oficialmente'; achei que Josie causaria mais problemas, ou até se envolver com algum dos candidatos. Que ela iria conhecer melhor a criada, Nenna, a quem ela distribui patadas (intencionais ou não) e menospreza e acabar tendo alguma ideia mirabolante sobre como ajudá-la e ajudar o pai com a situação problemática do país. Ou até que o cenário político impactaria mais a seleção. 

Ao final da leitura eu fiquei com a impressão de que Kiera teve ideias demais e as jogou no papel  desordenadamente. Não houve um desenvolvimento coerente. E para alguém que estava sendo criada para ser a Rainha, algumas das ideias de Eadlyn para ajudar o pai eram bem infantis e amadoras.

Em suma: não passa de uma promessa, com passagens boas para distrair, mas peca totalmente em manter o nível dos anteriores.

3 de março de 2016

RESENHA: Dançando Sobre Cacos de Vidro - Ka Hancock

Dançando Sobre Cacos de Vidro -  Ka Hancock

Pesado. Incrivelmente lindo, mas não é uma leitura fácil e reconfortante. Ao contrário, tira o chão do leitor. Você pode nunca ter passado pelas situações descritas, ou talvez não na intensidade que a autora deu à história, mas vai sentir na pele.

Foi o livro capaz de me tirar do ritmo lento em que estava de quase que menos de um livro por mês. Não achei que me grudaria tanto nas páginas, mas foi inevitável. Normalmente eu tento não explanar tanto o enredo nas resenhas, mas tudo nesse livro é importante. Não tem meio termo.

O casal que nos faz dançar sobre cacos de vidro é Lucille e Michael, ou Lucy e Mickey. Os apelidos carinhosos e a maneira como eles se amam intensamente e verdadeiramente acabam sendo a única coisa leve da narrativa. Ka Hancock desenvolveu esses dois e os personagens coadjuvantes de maneira tão completa e complexa que nada é supérfluo. Fora os dois, amei Priss.

O drama de quem vive com a sombra do câncer hereditário e a balança emocional que as doenças psiquiátricas, no caso a bipolaridade, causam numa pessoa já são sozinhos assuntos e condições capazes de paralisar qualquer um. Ao juntar um casal com essas características, é uma bomba-relógio. Confesso que por alguns capítulos eu imaginei que eles teriam um caminho árduo mas que no final as coisas se acertariam. Mas não é o caso. Imagine tudo o que pode dar errado.. não é suficiente para descrever o que acontece por aqui.

Sorri em vários momentos, ri em outros, chorei, quis bater em quase todos os personagens e depois abraçá-los na mesma intensidade, passei pelos cinco estágios do luto fazendo essa leitura. Uma experiência rica de emoções e edificante. Só não sei se fico preocupada por reconhecer 90% dos medicamentos e saber para que servem antes mesmo de ler a explicação. Esse é daqueles livros que ao terminar você quer achar alguém para conversar sobre. 

Uma das características mais interessantes para mim, foi a maneira como a autora construiu a narrativa. Tudo em 1ª pessoa, mas ora com Lucy, ora com Mickey e o presente e o passado se intercalam sem haver confusão, mas uma rede muito bem tecida e pensada.

Muito obrigada a Editora Arqueiro por ter trazido esse livro para o Brasil e por ter disponibilizado para nós do Livro Viajante do skoob.