29 de setembro de 2015

RESENHA: Amante Renascido - J. R. Ward (Irmandade da Adaga Negra #10)

 Amante Renascido - J. R. Ward

Enlouquecedor. Pela segunda vez consecutiva nessa série eu me surpreendi positivamente depois de fracassos. Nem tudo são flores na vida dos casais já formados, o que para mim, dá veracidade aos relacionamentos.

Tohrment e No One formam um dos casais por quem mais torci nessa série. Tohr se mostra mais em pedaços do que achei que estaria, já No One, ao meu ver, me pareceu mais forte do que leva crédito.

Até então eu ainda não tinha entendido o motivo de Lassiter ter aparecido, mas tudo se encaixa e faz sentido. Aliás adorei a maneira como foi desenhada os possíveis caminhos para quem morre e de que o purgatório seria diferente para cada pessoa.

Geralmente a Ward deixa apenas um único super-gancho para o que está por vir, mas dessa vez foi diferente, houve tantas pontas grandes que me peguei achando 700 páginas pouco. O livro tinha que ser maior. O plot John / Xhex foi melhor do que todas as páginas do livro deles. O plot Qhuinn/ Layla / Blay tem tudo para ser um inferno, espero não me decepcionar. O tal Assail é outro que cheira problemas mas eu quero mais.

Xcor e os outros bastardos precisam de mais espaço. Quero conhecer cada um deles a fundo, mesmo eles sendo os atuais antagonistas quero muito que eles encontrem suas parceiras e que de algum modo as coisas se ajeitem. Talvez com um inimigo em comum realmente perigoso. Pois convenhamos, a irmandade tá escassa de guerreiros. Engraçado que com apenas um ou dois parágrafos eu fiquei mais curiosa com os Sombras do que com todas as aparições nos livros anteriores. 

Então, é tanta coisa boa que eu até perdoo dessa vez as maluquices que ela escreve. Ainda não aceito por exemplo a maneira como a No One bateu o pé em não querer medicação. Queria algo mais aceitável que simplesmente 'ela achar que merece sofrer', ou 'sou uma vítima'. Ela até esse instante tinha dado tantas razões para sua recuperação, tinha se mostrado sensata, racional. 

Não querer o Tohr por perto eu acho plausível, não aceitar as drogas simplesmente porque não quer não faz sentido. Aliás, esse povo não conhece camisinha não? Tipo, não dá para unir o útil ao agradável? E as merdas que saíram da boca dele? Se fosse comigo ele ia passar os próximos 200 anos no cantinho da vergonha, pensando em maneiras de se desculpar apropriadamente.

O final. A cerimônia. Eu não esperava aquele desfecho. Gritei um não bem sonoro, às 2 da manhã. Me senti como se fosse comigo. Sabia que algo ia ser feito, e foi ótimo ver que quem consertou as coisas não foi a Virgem Escriba. Aliás, senti falta dela nesse livro. O que aconteceu com essa mulher!?

Só eu tenho medo do próximo livro? Gosto tanto do Qhuinn. Tenho receio das besteiras que vão sair daqui para frente e de que toda a minha idealização desse ser se mostre tragicamente inverossímil. PS: Quero saber mais do Lugar Seguro. Tem tanto potencial para histórias... Ward, explore isso.

22 de setembro de 2015

RESENHA: Amante Libertada - J. R. Ward (Irmandade da Adaga Negra #9)

Amante Libertada - J. R. Ward

Fé restaurada. Depois do declínio nos livros anteriores que levaram ao quase fracasso total de Amante Meu, Ward me reconquistou. Payne pode ter sido libertada mas eu fui aprisionada no universo IAN novamente.

Manny, apesar do apelido brega, é um dos personagens masculinos que mais gostei nessa série. Não esperava que ele fosse assim tão sedutor. Apesar de a história ser supostamente focada na Payne, eu me vi muito mais interessada em saber o que aconteceria com ele do que com ela.

Payne é forte, é guerreira mas é feminina. Ela tem uma ingenuidade que compete essa característica a ela de maneira natural. Queria ter visto ela em ação mais vezes e espero que ela realmente vá à luta com os caras.

Os bastardos foram uma bela adição a esse universo. Gostei muito mesmo do que vi e espero que eles ganhem histórias. Toda a sofrência do Xcor tem que acabar. Ele merece uma garota. Os outros 'falaram' pouco, mas dá a entender que são histórias de vida fortes para cada um. Fiquei intrigada com o braço direito dele.

Qhuinn assumiu o pape de chatonildo do bando. Quanta reclamação para um ser só. Só deu valor quando perdeu e agora fica chorando as pitangas. Tenha dó meu caro. Autodestruição é tão last century.

O que não me agradou: as primeiras 120 páginas poderiam ter sido resumidas. Muita enrolação desnecessária e uma lentidão na progressão dos fatos que poderia enlouquecer alguns e fazer com que outros abandone a leitura. E por outro lado senti que houve uma certa correria no fim. Algumas cenas poderiam ter sido melhor trabalhadas, Ficaram algumas (muitas) pontas soltas.

E não vi gancho nenhum para o caso amoroso seguinte.  Há com certeza muito material para as histórias paralelas e para a Guerra, mas nenhuma pista sobre a responsável por arrebatar o coração do próximo guerreiro. E quanto a pequena batalha musical que se instaurou? Sou  #teamManny.

18 de setembro de 2015

RESENHA: The Other Queen - Philippa Gregory (Plantagenet & Tudors #14)

The Other Queen - Philippa Gregory


'Não confie em ninguém, nem em sua própria sombra.'

Para variar a autora conseguiu me deixar enlouquecida a ponto de respirar a Era Elisabetana enquanto eu não terminasse a leitura. Nada como uma madrugada analisando as linhagens para ver quem é quem, e o que cada um fez durante os anos não narrados no romance.

Mary, rainha dos escoceses, é retratada aqui como uma mulher egocêntrica, egoísta, tratante, ardilosa, inconsequente é com um complexo de D'us para deixar Henry VIII com inveja de sua sobrinha-neta. Bem diferente da jovem Mary retratada na série Reign. Os outros dois personagens que companhamos através dos anos são George e Bess Shrewsbury, que se tornam os responsáveis por manter a outra rainha em segurança no cativeiro. 

Bess é uma mulher de 40 anos que nasceu pobre e encontrou seu caminho para a fortuna em seu segundo casamento, seu marido da vez ensinou a ela como administrar, organizar e fazer crescer seus bens e fortuna. Depois dele ela ainda casou com mais um que também faleceu e então o Earl Shrewsbury, o primeiro marido dela que não fizera fortuna e sim herdou. Ela tem como objetivo de vida aumentar sua riqueza (em parte composta por itens roubados de propriedades católicas) e assegurar que seus filhos e filhas tem um futuro sem preocupações.

Já o lorde Shrewsbury é o típico rico sem noção. Tão acostumado a gastar que não se importa nem sabe como lidar com a parte desagradável de ter uma fortuna: fazer contas administrar os bens para mantê-los. Vê na ordem da rainha Elizabeth uma oportunidade de adquirir mais títulos e respeitabilidade na corte.

Todo esse 'background' é real. Bess realmente foi uma das mulheres mais proeminentes e poderosas de sua época abaixo da própria rainha, e não teve o reconhecimento que merecia por ser mulher. George era mesmo um bocó, e assim como no livro, há fortes indícios de que tenha se apaixonado pela jovem rainha cativa.

Do incio ao fim temos planos e mais planos de fuga, de rebelião, de assassinato, de invasão, de traição. Ninguém confia em ninguém, aquele que é seu amigo de infância hoje pode se tornar o responsável por sua prisão no dia seguinte e até os espiões tinham espiões em sua cola. 

Mary sendo católica, rainha-viúva de França, rainha de Escócia e descendente direta de Henry VIII, era a maior ameaça ao trono da rainha protestante. Para piorar tinha apoio da Espanha e do próprio papa que queria ver a Inglaterra voltar à verdadeira fé. E o maior inimigo de Mary foi ela mesma. 

No livro a vemos como uma mulher jovem de 26 anos que tinha ciência de sua beleza, e que por ser Rainha ungida tanto em França como em Escócia, achava que estava acima do bem e do mal e que não importaria o que fizesse, estaria salva. Esse foi seu erro. Ela se torna descuidada, abusiva, descontrolada e ao meu ver, sua crença a levou a loucura. Só uma mulher sem controle de suas faculdades mentais faria o tipo de coisas que ela fez sem temer nada.

Achei interessante como a minha opinião sobre os personagens mudou durante a leitura, a única constante que eu tive foi Cecil e Elizabeth. Ventríloquo e marionete. Os demais, sejam católicos ou protestante me fizeram mudar minha 'lealdade'. Mesmo sabendo que não aconteceu eu me vi torcendo para que Mary conseguisse escapar, mas depois de um tempo eu torcia para que as cartas fossem interceptadas e ela sofresse logo alguma consequência.

Mary passou 19 anos como prisioneira em terras inglesas. Durante esses anos ela foi de grande preferida dos católicos de toda a Europa, seu rosto era simbolo da esperança de tirar os protestantes do trono, à uma puta traiçoeira e sem palavra. Antes era vista como divina, e no fim como ameaça a integridade da Inglaterra como nação.

A maneira como Gregory desenvolve e conecta os acontecimentos que tem realmente registro histórico torna viável e acreditável essa mudança. Ao mandar matar Mary, Elizabeth poderia muito bem ter incitado uma rebelião interna, mas o que vemos nos registros é uma população unida por algo mais importante: nem católicos nem protestantes queriam espanhóis em território inglês. Ninguém estava a salvo da inquisição caso o rei Felipe começasse a dar pitaco na ilha.

Creio também que no fim, todos tenham entendido o porque da necessidade de matá-la. Ela tinha o perfil de uma potencial tirana, já que não aceitava ordens de ninguém, era volátil pois sua palavra não era confiável. E nunca assumia responsabilidade. Ela sempre sabia de tudo, mas na hora que dava errado se fazia de coitada e fingia nada saber. 

Outra resolução que tive foi de que a Rainha Elizabeth foi escolhida por força divina para estar a frente do país. Entre seu nascimento e a morte de Mary Stuart ela sofreu mais reveses que qualquer outro membro de família real no mundo e mesmo assim, morreu só aos 70 anos. Com ela acabou a Dinastia Tudor e também o basckstabbing entre familiares. A decisão de não se casar nem ter filhos foi sábia, caso contrário até hoje teríamos membros dos Tudors se enfrentando pelo direito divino de ser coroado. 

13 de setembro de 2015

RESENHA: The Penitent - Isaac Bashevis Singer

The Penitent - Isaac Bashevis Singer

Namorei esse livro na minha estante por uns meses. Toda vez que eu passava na frente dela eu olhava ele até que decidi pegá-lo de uma vez. Ia ler para o desafio do skoob em dezembro mas não deu para esperar. 

Definitivamente não é um passeio pelo parque. Neste livro, Singer nos coloca frente a frente com seu protagonista Joseph Shapiro enquanto ele narra 2 dias decisivos em sua vida. É o momento em que ele decide ser fiel à sua fé.

Por não ser judia eu me vi por um tempo pesquisando sobre os termos que ele usa o tempo todo o que atravancou a leitura no início. Então decidi encarar a leitura sem me prender à terminologias e ler simplesmente levando em consideração a busca de um homem por algo em que acreditar, por algo que se possa agarrar.

Esse seria o resumo dessas 117 páginas densas e cheias de reflexão: autoconhecimento. O personagem é um homem que no pós-guerra foi para os Estados Unidos, é casado, tem uma amante, muito dinheiro, negócios bem-sucedidos. Enfim, ele tem tudo o que alguém poderia querer no âmbito material. Mas ele se dá conta de que algo está faltando. 

Em um rompante, ele vê uma luz no fim do túnel e decide largar tudo aquilo, que no fim não o fazia feliz e nem o deixava em paz consigo mesmo e segue numa viagem rumo a Israel sem levar mais nada além dele mesmo e um punhado de dinheiro que o mantenha por um tempo nessa busca. Em sua cabeça ele decide que talvez Israel seja o único lugar do mundo onde ele iria estar longe de tentações pagãs e da influência do que ele chama de 'Espirito mau'.

Logo ele se dá conta de que não importa para onde ele vá as pessoas não necessariamente serão devotas e que o caminho para uma fé pura e verdadeira como a de seus ancestrais não é fácil. D'us nos deu o livre-arbítrio e portanto cabe a nós mesmos encontrar o caminho. E não há atalhos para essa vida e mesmo se chegarmos nela não há certeza de que tudo será bonito e feliz o tempo todo.

Achei muito interessante acompanhar essa jornada. O livro foi publicado em 1984, mas antes havia sido publicado por capítulos em jornais entre 1972 e 1973. Estamos em 2015 e bem, é o mesmo cenário. Tudo o que Joseph via de errado no mundo e nele mesmo ainda está por aí. Considerei o personagem um tanto egoísta e hipócrita, mas não considerei isso uma coisa ruim e sim verossímil. 

Vi muitas resenhas o considerando como o pior livro do autor. Mas se esse é o pior, o melhor deve ser um must read daqueles que não nos deixa nunca mais e que nós acabamos por indicar para todos independentemente do gênero preferido do amiguinho. 



11 de setembro de 2015

RESENHA: Peça-me o que quiser - Megan Maxwell (Pídeme lo que quieras, #1)

Peça-me o que quiser - Megan Maxwell


Início quase insuportável e final meteórico. Realmente ele é bem explícito, e essa coisa de oferecer o parceiro a outro não me apetece, mas dentro do universo deles tem lugar e faz sentido.

Eric é alemão e Jud é espanhola. Isso já é suficiente para garantir um bom enredo cheio de altos e baixos. Adorei a Jud. Ela tem uma personalidade bem parecida com a minha, só não aprovo os e-mails em demasia. Eric é irritante do início ao fim. Ele é mandão demais e pouco explicativo.

O cara querer manter distância emocional dela eu entendo, mas querer ao mesmo tempo que ela conte tudo e aja como se fosse propriedade dele é demais para mim. Não se encaixa. Se ele não quer dividir os percalços da própria vida logo de cara, porque acha que ela deve dar a ele todas as respostas inclusive o que faz ou deixa de fazer quando não estão juntos?

Ele chega ao ponto de colocar alguém para segui-la, exige que ela confie nele inteiramente na cama, mas não responde à coisas simples. Eu no lugar dela já teria posto um basta nesse jogo e picado minha mula lá ao menor sinal de possessividade sem reciprocidade. Vai ver é por isso que estou solteira! Mas não aguento, não concordo.

Adorei o fato de a autora falar nomes de músicas e colocar trechos, isso nos dá uma oportunidade de entender mais os personagens. Amei Blanco y Negro e recomendo que a leitura seja feita ao som dela. Linda música e combina direitinho com o casal.

As cenas de sexo podem chocar alguns, mas como eu já cheguei a conclusão que sou depravada mesmo, pouco me espantou. Continuo achando que 'Backstage Pass' é mais 'pesado'. Pois apesar de todo o voyeurismo e demais modalidades não-convencionais é bem claro o que eles sentem. Pode ter mais 3 ou 4 pessoas na cena, mas eles só pensam neles.

O carinho que resulta neles se apaixonando vai crescendo a cada capítulo de forma convincente. Só perdoei o Eric pelos ataques de posse e pelanca por causa das revelações feitas. Para o meu gosto ele demorou demais, esse achismo de autossuficiência é irritante. Homens não choram. Tá, aham. Senta lá, Claudia.

O final? Bem, para mim foi o melhor. No início ainda tinha minhas dúvidas se eu iria ler os demais, mas agora definitivamente ao menos o segundo eu vou ler. PRECISO saber o que ela vai fazer. Adorei vê-la tomando as rédeas da situação e não se submetendo às vontades do Iceman. Alias, toda vez que algum personagem se referia ao Eric assim eu logo pensava no meu ICEMAN. Kimi pode ser finlandês mas tem tudo para representar o Eric em meu imaginário. 

Ô lá em casa. (Com todo o respeito à esposa) <3

3 de setembro de 2015

RESENHA: A Espia da Rainha - Philippa Gregory (Plantagenet & Tudor #12)

A Espia da Rainha - Philippa Gregory


Queria tanto ler esse livro há tempos que nem me importei que tenha sido em português de Portugal. Não costumo gostar, mas uma história tão bem escrita e tão rica em detalhes históricos supera os incômodos de nossa língua-irmã.

Apesar de ter outras leituras paralelas e da culpa por deixá-las paradas, não consegui largar. Foram 4 dias sem conseguir não pensar nesse enredo. Primeiro porque eu amo os Tudor. Segundo porque Philippa Gregory cria personagens apaixonantes. Não foi diferente com Hannah.

É engraçado pois lembro de sentir ao ler os anteriores e qualquer outra coisa sobre os filhos de Henry VIII e achar Mary chata e Elizabeth maravilhosa. Dessa vez foi o contrário. Tive raiva de Elizabeth por todos os estratagemas e amei a maneira como Mary se apresentou. 

Mary passa a impressão nesse livro de ter sido uma mulher forte, determinada, temente à Deus, corajosa e apaixonada pelo seu povo e pelo marido. Seu maior sonho foi dar à Inglaterra um príncipe. E isso é o que torna seu destino tão triste e revoltante. Ela tinha tudo que qualquer mulher poderia querer na época, menos o que mais queria: amor.

Elizabeth aparenta ser uma menina mimada, frívola e manipuladora. O pior tipo. Assim como Hannah eu me vi amando a Rainha e fascinada, deslumbrada pela princesa. Era quase como se fosse um experimento, acompanhar a princesa para poder ver como ela age e se comporta nas situações.

A única coisa que não gostei foi com quem Hannah decide ficar no final. Eu não imaginava e fiquei um pouco desapontada. Desde o início achei que ela continuaria sendo a figura independente que fora no início da história. Sei que ela era uma menina ainda, mas isso não justifica a mudança drástica de personalidade. 

Os homens da história. Dudley é charmoso, compreendo o fascínio que as mulheres sentiam por ele, inclusive a princesa. Daniel não me convenceu em nenhum momento, sempre o detestei e torci muito para que ele seguisse em frente e desistisse de Hannah. O príncipe Filipe poderia ter aparecido mais ativamente, mas sua presença mesmo em segundo plano foi compatível com a imagem de mulherengo que ele tem na vida real. 

Bem, é definitivamente uma leitura recomendada caso os leitores gostem de histórias baseadas em fatos históricos. Gregory é um prato cheio para os amantes das intrigas da Dinastia Tudor.