26 de junho de 2015

RESENHA: O Caminho do Poço das Lágrimas - André Vianco

Desafio Loucas por Livros e Esmaltes - Vermelho + Família

O Caminho do Poço das Lágrimas - André Vianco


Hein? Essa foi uma palavra recorrente enquanto eu lia.Gosto muito do Vianco e dos universos que ele cria, mas esse livro me deixou confusa. Ou realmente é viajante, e eu precisava de um baseado para entender, ou é muito subjetivo para meu pobre cérebro pseudo-intelectual. Levei quase metade da leitura para entender mais ou menos o que estava acontecendo.

Houve capítulos que amei, que li rapidamente, outros me arrastei. Houve informação demais e mistura de estilos e gêneros em demasia para que eu sentisse uma coesão. Não sei se é terror, suspense, drama, infantil, fantasia. Tudo se encaixa e desencaixa ao mesmo tempo.

Uma das partes que mais gostei foi o capítulo em que Jonas, Ingrid e Bosco ficam observando as vagens verdes e vermelhas. Se trabalhado, essa ideia poderia virar uma história independente.

Jonas é um babaca. Um péssimo pai e marido. Extremamente egoísta. Ingrid é infantil demais para uma pré-adolescente, principalmente se comparada com o irmão Bosco, que é mais novo. Achei Bosco enjoadinho mas ainda assim o personagem melhorzinho.

Apesar disso a mensagem principal foi interessante. É um livro sobre família. Sobre a importância e a atenção ou desatenção que damos a ela. A gente sempre acha que vai ter tempo para tudo e nem sempre é assim. Alias quem nunca pensou 'Poderia ter dito a fulano que o amava mais uma vez' quando se dá conta que não será mais possível. A morte é, para os vivos, a despedida mais definitiva. 

Enfim, a história tinha um potencial brilhante, e deveria ter sido melhor explorada, ou talvez 'menos' explorada. Há fadas, zumbis, anjos, monstros, fala-se em anjos, guardiões de portões celestiais, e mais outras coisas. porém são apenas 200 páginas. Muitas coisas mereciam ser melhores exploradas ou então serem deixadas de lado.

Em compensação o artista Lese Pierre foi feliz nas ilustrações. São belíssimas. Algumas resumiam passagens inteiras em uma página. 

22 de junho de 2015

RESENHA: A Culpa é das Estrelas - John Green


DESAFIO LITERÁRIO DO SKOOB
Histórias com casais - 06/12

A Culpa é das Estrelas - John Green

Achei fenomenal. Adiei tanto a leitura desse livro por diversos motivos, e tenho que assumir que deveria ter lido antes e levado menos em consideração o que outras pessoas acharam. Mas talvez minha postergação tenha sido benéfica, vai ver eu não teria gostado tanto em outro momento.

Hazel é uma menina frágil fisicamente mas com um espírito de dar inveja à muitas heroínas por aí. É impossível não se apaixonar por ela. A maneira como ela encara a vida, a doença e tudo ao seu redor me fez dar gargalhadas desde o primeiro capítulo. Não imaginei que iria rir tanto com um livro que trata de algo tão delicado.

Gus por sua vez me pareceu metido no início, não me conquistou de cara, mas aos poucos, assim como Hazel me apaixonei por ele. Sua personalidade e suas indagações e divagações filosóficas foram bem vindas. Normalmente não gosto de personagens que ficam filosofando, mas a maneira como ele traça o paralelo entre a teoria e sua própria vida fez a coisa ser mais lúcida. Ao menos para mim.

Isaac é demais! Gente que figura esse garoto. Se ele foi baseado em uma pessoa real, definitivamente é alguém marcante. O engraçado é que no início achei que ele desapareceria da história e eu ficaria com a impressão de mais um figurante que com certeza não teria impacto. Primeiras impressões nem sempre são as que ficam.

Quem não gosta de John Green tem problemas sérios e/ou muito recalque. A maneira como ele conduz a história principal, dá luz às paralelas e volta sem deixar nada solto é para poucos. Já vi muitos autores grandes terem capítulos confusos por conta da quantidade informações jogadas sem pensar.

Vi muita gente criticar o vocabulário juvenil que ele usa. Sério minha gente? Leram o mesmo livro que eu? Sim, há passagens em que tanto Hazel quanto Gus falam coisas que poderiam ter saído de um sitcom adolescente. Mas é aí que está a genialidade. Eles são adolescentes. Em meio às preocupações adultas que eles tem por terem câncer conseguem ter momentos quase infantis. Ela fala muito em ANTM, mas sério,que adolescente norte-americana não assiste? E não é esse um dos pontos do livro? Que essas crianças tiveram uma vida pré-câncer e mesmo depois do diagnóstico não perderam suas identidades. Suas vidas ganharam novos aspectos mas isso não significa que os outros deixem de existir. 

Depois disso apenas sei que quero ler os outros.

16 de junho de 2015

RESENHA: Enfeitiçadas - Jessica Spotswood (As Crônicas das Irmãs Bruxas, #1)

LV 05/2015

Enfeitiçadas - Jessica Spotswood


Jejum quebrado enfim. Apesar de eu não ter parado com as leituras no mês de maio, eu simplesmente não consegui avançar com a mesma velocidade de sempre. Mas nada como um viajante para nos dar um impulso.

Essa cortesia da Editora Arqueiro para o grupo Livro Viajante foi uma ótima surpresa. Não lia sobre bruxas desde o ano passado, gosto muito e a narrativa de Jessica Spotswood não deixa a desejar

A protagonista me fez querer dar uns tapas nela, por conta da síndrome da irmã mais velha. Mas pouco a pouco ela vai se soltando e adorei as inconsequências dela.

As outras irmãs não aparecem tanto quanto eu gostaria e exclusivamente as vimos pelos olhos de Cate Cahill a mais velha. Maura é a do meio, normalmente eu teria mais afinidade com essa, até temos alguns traços em comum, mas a achei muito egoísta e inconsequente. Tess é a mais nova e minha preferida apesar dos poucos momentos que deu o ar da graça.

A governanta Elena é odiável mas não deu para confirmar se assim o é por termos apenas a visão de Cate. Talvez se ela tivesse voz ativa na narrativa e / ou soubéssemos melhor de seu passado eu a suportasse.

Os rapazes: Paul e Finn. É engraçado mas no início eu tinha a impressão de que gostaria mais do primeiro, mas Finn cresceu no meu conceito e eu torci por ele até o final. Queria ter visto mais rebeldia por parte de Cate mas ela falhou comigo. Era previsível a decisão dela, mas não sou conformista. Fico na torcida para que Finn continue aparecendo e me encantando no segundo livro.

Essa continuação me deixou ansiosa. Preciso ler logo. Preciso saber o que a Maura vai fazer, como Tess vai lidar com isso, quem é quem nessa profecia, o que as irmãs são na realidade. Aliás, se tanto a mãe quanto a madrinha de Cate fugiram dessa irmandade, boa coisa não pode ser. 

Foi uma leitura fluida, envolvente (do tipo que te faz ficar pensando e conjecturando sobre o que vem a seguir quando não está lendo) e o final nos deixa cheio de perguntas e com pouquíssimas respostas. Era exatamente o que eu precisava para parar de pensar nas mazelas da minha vida e relaxar e imergir em outro mundo. Portanto: