23 de fevereiro de 2014

RESENHA: Glimmerglass - Jenna Black (Faeriewalker #1)

Desafio Loucas por Livros e Esmaltes
02/12 - Capa com brilho

Glimmerglass - Jenna Black


Quando li o tema logo lembrei desse livro. A escolha foi bem fácil. Depois da minha desagradável experiência com Inverno das Fadas, fiquei preocupada e cética quanto ao progresso que teria com mais uma leitura sobre fadas.

Foi um início difícil, assumo. Depois de iniciada a leitura fiquei alguns dias sem pegar no livro pois ainda não tinha me empolgado. Creio que foi lá pelo capítulo 9 que a autora prendeu minha atenção, e lá pelo 15 que me conquistou de vez. Foi bom ter insistido.

Dana aparenta ser uma adolescente madura para a sua idade, mas só enquanto o território é conhecido para ela. Logo que chega a Avalon, as coisas começam a mudar, pois a fantasia que ela tinha sobre como seria sua vida com o pai cai por terra. Ela é recepcionada pela tia, Grace Stuart, e sejamos francos, não de uma maneira calorosa. 

Logo ela começa a desconfiar de tudo e de todos, uma dupla de irmãos feéricos adolescentes, a salvam do cativeiro, ela se junta a eles, mas sempre com um pé atrás. Nessa hora tudo parece se encaminhar para um romance entre ela e Ethan, o garoto feérico. Mas a desconfiança que ela mantém e  a transparente omissão de fatos por parte dele impedem que ela ceda totalmente aos encantos do rapaz.

Nesse momento ela enfim consegue contato com o pai, e descobre mais mentiras que foram contadas. Apesar de que ela também se vê desconfortável com a franqueza generalizada da parte dele. Ele não mente nem ameniza a verdade em momento algum. Apesar de não saber se deve ou não confiar nessa figura paterna, ela decide ficar ao lado dele (como se tivesse opção). Ela começa a repensar sua decisão repentina de largar tudo nos Estados Unidos e fugir escondida da mãe, chega até a sentir falta dela.

Os problemas só crescem conforme ela começa a descobrir a verdade sobre o que ela é, o que pode fazer, o que esperam dela, e tudo acontece de forma rápida, já que cronologicamente se passaram menos de 48h, e devagar, pois a autora consegue explicar tudo de maneira homeopática. O leitor aprende tudo sobre Faerie, Avalon, seelies e unseelies junto com Dana.

Nesse ponto outro personagem masculino entra em cena, Keane. Ele é filho de Finn, seu guarda-costas e aparece para ensinar (de má vontade) algumas dicas de autodefesa. A princípio, a descrição física e dos trejeitos do rapaz me faz considerá-lo um idiota. Mas depois recebo um tapa na cara da autora, já que entre Ethan e Keane, eu preferia ver Dana se envolvendo com Keane. 

A mãe dela enfim percebe que a filha sumiu, e voa até Avalon, Dana então se vê brigando internamente com sentimentos acerca da mãe e do pai, pesando se é melhor ficar com um, com o outro, ou talvez com nenhum. O desejo de ser normal. Os acontecimentos que vem a seguir, são os meus favoritos. As pessoas começam a mostrar suas verdadeiras intenções, Dana começa a entender melhor o que significa ser uma Faeriewalker e o porquê de tanta gente querer ter 'posse' dela.

Dana ganha do pai um camafeu, e através dele ela percebe a magia. Isso e lembrou muito o medalhão de Dru em Strange Angels. Já que graças a esses artefatos as duas conseguem evitar, na maioria das vezes o perigo iminente. Outro fator em comum é a maneira como cada uma é única e especial dentro de seu mundo, o que faz com que todos as queiram por perto, e elas fiquem sem saber em quem confiar. Dru não tem pais, mas está cercada de adultos seculares com cara de que acabaram de atingir a maturidade e o mesmo acontece com Dana.

Ainda outra semelhança é o triângulo amoroso não assumido. Dru tem Christophe e Graves que estão em tese em lados separados da guerra não declarada; e Dana tem Ethan e Keane, que também são de cortes diferentes e portanto em tese pertencem a lados diferentes na guerra pelo poder.

Ou seja, apesar da fórmula de bolo, gostei desse universo feérico apresentado por Jenna Black. É uma série que gostarei de acompanhar.

17 de fevereiro de 2014

RESENHA: O Visconde Que Me Amava - Julia Quinn (Os Bridgertons #2)

Leitura Extra
07/2014

O Visconde Que Me Amava - Julia Quinn

Lindo! Mais uma vez empacada nos desafios, resolvi começar outro livro. Sabia pelo anterior que seria prazeroso mas não imaginava que a leitura seria tão rápida! Li as 304 páginas em 4 horas! Com direito a paradinha para jantas e tomar banho. 

Anthony foi tudo o que eu esperava e mais. Julia Quinn conseguiu mais uma vez de forma magistral balancear as características do herói romântico com o homem real. Definitivamente até a mais independente das mulheres iria dar o braço a torcer para ter Anthony Bridgerton a seu lado.

Ao mesmo tempo que ele é o autêntico provedor, chefe de família, ele consegue ter um lado doce e carinhoso que só é revelado a Kate. Ele coloca na cabeça que a Sheffield mais nova é a esposa perfeita e se dá conta que precisa conquistar a mais velha antes. Ele não quer se apaixonar, tem motivos para não querer encontrar o amor de sua vida, mas ainda assim quer uma esposa. Acha que tem, como primogênito o dever de procriar e fazer o mesmo que seus antecedentes fizeram.

Mas o que acontece é que enquanto tenta convencer Katharine Sheffield de que ele será um bom esposo para sua irmã Edwina, eles desenvolvem uma amizade bem improvável e o carinho que ele começa a sentir por ela se torna amor ao longo dos dias. Kate por sua vez é tudo que se espera na mocinha desses romances. Mordaz, inteligente, irônica, confiante ( ao menos na frente do homem irritante em questão), além da preocupação com a família, o bem-estar e o futuro delas. 

Mais uma vez Quinn nos traz uma narrativa cheia de humor. Dei graças ao fato de estar só em casa. Ninguém aguentaria minhas risadas no capítulo em que as irmãs Sheffield se juntam aos Bridgertons para um jogo de Pall Mall. Ri do início ao fim e adorei rever Daphne e Simon. Colin nesse capítulo se consolidou como meu mais novo preferido. O rapaz é incrível. Ansiosa pela história dele no livro 4.

Resumo do Livro em uma imagem. Amei!
O capítulo em que eles acabam noivos também é hilário. É impossível não imaginar a cena se desenrolando na sua frente. Fiquei sem saber porque motivo Benedict que é o próximo a ser arrebatado quase não aparece nesse livro. Eloise que é a próxima garota Bridgerton a debutar já começa a dar na pista que tipo de mocinha ela vai ser. Espero que seu futuro marido tenha o mesmo espírito aventureiro que ela. 

Lady Whistledown está com a pena afiada nesse livro também, e diminuiu minhas suspeitas de quem será essa mulher. Engraçado como não há um único personagem que não nos intrigue durante a leitura. Lady Bridgerton está ótima com suas maquinações nada sutis quando se trata de casar os filhos. Em suma, amei e mal posso esperar pela continuação. Creio que ao fim das leituras estarei órfã.




16 de fevereiro de 2014

RECEITA: Bulkoki

Receita que faz parte do Desafio 12 receitas, 12 países,12 livros. Fevereiro foi a vez da Coreia do Sul, e entre tantas opções que achei na internet, fiquei com Bulkoki, um prato de carne vermelha que considerei fácil. Só foi possível com a ajuda do site Banchan Culinária Coreana que tem receitas com fotos de dar água na boca!

BULKOKI

Carne:

  • 600g de carne alcatra 
  • 1 cebola
  • ½ cenoura
  • 4 cebolinhas
  • 200g de cogumelo shimeji
  • 2 colheres de sopa de açucar
  • 2 colheres de chá de óleo de gergelim
  • óleo de soja
  • 1 colher de chá de gergelim torrado


Molho:

  • 100ml de ganjan, molho de soja
  • ½ pera
  • 15ml de mel ou glicose de milho
  • 30ml de vinho branco
  • 5 dentes de alho
  • 30ml de óleo de gergelim
  • pimenta do reino
  • ½ copo de coca-cola
MODO DE PREPARO:

Achei dezenas de maneiras por aí. Então dei uma adaptada para as minhas possibilidades dentro da minha grande cozinha. Eu não tinha vinho e não achei o cogumelo shimeji, fiz sem mesmo.

Prepare o molho primeiro, adicione os ingredientes um a um,  em uma vasilha, corte a pera em cubos e triture o alho. Mexa-os e reserve. Em seguida, corte a carne em tiras (cortei em pedaços um pouco maiores que corto para estrogonofe), corte a cebola em meia lua, cenoura à juliana, e a cebolinhas em pedaços de aproximadamente 2 dedos de comprimento. Misture os ingredientes. 

Em uma panela funda (usei um wok) coloque um fio de oléo, o suficiente para refogar a carne. Refogue por uns minutinhos e adicione o molho. Misture tudo muito bem, abaixe o fogo e tampe. Aproveite esse tempo para fazer um acompanhamento (fiz um arroz branco). Deixe a carne no fogo por cerca de 30 minutos ou até que a carne esteja cozida a seu gosto.

Depois é só comer. Eu estava com um olho na TV e outro no fogão. Errei na quantidade de mel, coloquei 150ml! Ficou doce, mas adicionei um pouco de água e sal e deixei reduzir. Deu certo. 

Com direito a hashi e tudo.





12 de fevereiro de 2014

RESENHA: O Duque e Eu - Julia Quinn (Os Bridgertons #1)

Leitura extra
06/2014

O Duque e Eu - Julia Quinn

Depois de ler dois livros pesados para desafios, e tendo começado O Perfume para um terceiro desafio me vi necessitada de uma leitura mais leve. Um romance mulherzinha seria perfeito. Por acaso ele era o primeiro livro aparecendo na biblioteca virtual do meu tablet e portanto o escolhi. Tinha até esquecido que o tinha.

Foi muito melhor que eu esperava. Li o prólogo na noite de segunda e na madrugada de ontem para hoje li os 21 capítulos seguintes. Adorei Daphne, Simon e Anthony que aparecem mais nesse livro, e a mãe de Daphne me fazia rir em todas as passagens que dava a graça. 

Me peguei fazendo caretas durante a leitura de acordo com os diálogos e reações dos personagens. A autora realmente me envolveu e prendeu. Entrou para o rol dos meus escritores preferidos. Quero muito ler a continuação e me deixa feliz saber que são 8 livros! 

Daphne Bridgerton é uma mistura balanceada de esperteza e inocência. Ela é inteligente, sagaz, divertida, independente, mas ao mesmo tempo carrega as caraterísticas típicas das mocinhas dos romances de época ambientados no século XIX, como o carinho pela família, a delicadeza, é feminina, e com uma certa ingenuidade. 

Já Simon, o solteiro da vez, apesar de rico, dono de um ducado e incrivelmente lindo é inseguro, teimoso e um cado turrão. Às vezes me fazia duvidar que ele era o mais velho na relação. Aos 28 anos, em determinados momentos aparentava ter a mesma idade de Daphne, ao passo que essa aparentava ter 30 anos em alguns momentos. Mas acaba sendo assim entre os homens até hoje, não é mesmo? Infantis até o último suspiro.

Outra coisa que ajuda a descontração da leitura são as passagens no inicio de cada capítulo escritas pela jornalista e fofoqueira londrina  Lady Whistledown. As descrições dos acontecimentos da rica sociedade inglesa garantem boas risadas. Não tem como sentir raiva da intromissão dela na vida alheia. Não sei se quero descobrir quem é a mulher por trás dela, apesar de ter minhas suspeitas.

Como todo romance mulherzinha, algumas coisas são bem previsíveis, mas não da maneira chata e cansativa. Julia Quinn consegue, não sei exatamente como, deixar o previsível incrivelmente envolvente, encantador. Acerta em cheio em todas as linhas que escreve. Quero mais!


10 de fevereiro de 2014

RESENHA: Corações Feridos - Louisa Reid


Desafio Literário do Tigre
02/12 - Julgando pela capa

Corações Feridos - Louisa Reid

Eu tinha escolhido outro livro para esse item do desafio, Inverno das Fadas. Mas não consegui passar da página 50. Eu tentei, mas não deu. Acabei me aventurando entre os e-books e fui atrás de outra capa que me chamasse a atenção e que eu não conhecesse a história. Não conhecia a autora e nem havia lido nada sobre esse livro. Foi uma agradável surpresa. Apesar de uns erros de revisão na tradução aqui e ali, a história é linda. 

Achei interessante como Reid nos apresenta as personagens pouco a pouco, vamos conhecendo as meninas e quem está ao redor em doses pequenas mas eficientes. É uma história muito mais psicológica que física. O que importa são as problematizações que ela nos apresenta. Como eu não li a sinopse antes de iniciar a leitura, algumas descobertas foram mais importantes que pode parecer para quem leu.

O livro nos conta a história de Hephzibah e Rebecca. Irmãs gêmeas, cúmplices, mas ainda muito diferentes uma da outra.  Hephzi é a irmã linda, extrovertida, inocente. Reb é portadora da Síndrome de Treacher Collins, condição hereditária rara que causa a má formação óssea da face dos portadores. Reb se acha feia, é introvertida e muito inteligente, mesmo não acreditando nisso. Ouviu durante sua vida inteira que era resultado de sua impureza, que fora marcada pelo demônio.

Esse é outro aspecto muito importante na história, a religião. O Pai das meninas é pastor em seu pequeno vilarejo e na frente de todos se apresenta como um homem santo, mas dentro de casa é um monstro que abusa e tortura as filhas de todas as maneiras possíveis. A Mãe acredita que merece punição e apenas assiste a tudo. A única pessoa que ousou se interpor, a avó materna, acabou morta, e Reb acredita que o pai foi causador disso.

Gostei da narrativa flutuante. A história nos é apresentada tanto pelo ponto de vista de Reb como pelo de Hephzi, com momentos cronológicos diferentes mas que se complementam. A autora explora o universo da ligação psíquica que une gêmeos de maneira a amarrar partes da história. 

As situações, mesmo que assustadoras, são corriqueiras. São situações reais que pode-se ter certeza acontece muito pelo mundo afora. Reb se culpa pelo destino da irmã, lamenta ter demorado a procurar ajuda. Hephzi por sua vez, com sua inocência quase infantil, acaba trocando os pés pelas mãos ao achar que um namorado poderia tirá-la da vida infernal que vivia.

O livro mostra bem como os adultos acabam fechando os olhos e não fazem nada até ser tarde demais. São situações que poderiam ter sido evitadas, mas que só são realmente avaliadas quando uma tragédia acontece. A história evolui de medo e terror para superação e confiança quando a gêmea que cresceu se achando inferior descobre seu potencial e acha a coragem para trilhar seu próprio caminho sem depender de ninguém. Ela ganha ajuda, mas não esperou acontecer, foi atrás. Uma bela história.




8 de fevereiro de 2014

RESENHA: Por Favor, Cuide da Mamãe - Kyung-sook Shin


Desafio Literário 12/12/12
02/12 - Coreia do Sul

Por Favor, Cuide da Mamãe - Kyung-sook Shin

Mais uma vez a falta de luz em casa contribuiu para o término de uma leitura minha. Li o livro do início ao fim ontem. Já havia visto opiniões sobre o livro o considerando triste. Triste não é a palavra que eu escolheria. Pesaroso. Doloroso. A história gira em torno de Park So-nyo e sua família. So-nyo é uma senhora de 69 anos, mãe de 4 filhos que desaparece no metrô de Seul ao se separar do marido que entrou em um vagão. 

Achei confuso no início o fato de que a narrativa é feita em 2ª pessoa boa parte do tempo, mas depois me acostumei e achei que encaixa perfeitamente com o livro. Foi impossível não lembrar de minha própria mãe e de minhas avós enquanto percorria as memórias que cada personagem tem dessa mulher. É engraçado como por vezes achamos conhecer alguém, mas na verdade só sabemos de 1/10 de sua vida.

Os filhos e o marido, enquanto nessa busca pela Mamãe, começam a rever conceitos e as próprias atitudes que tiveram durante a vida, promessas que foram feitas, sacrifícios e decisões tomadas pela mamãe. Isso é outra coisa que quem não tem costume de ler e/ou assistir coisas oriundas da Coreia do Sul, pode estranhar. A maneira como os personagens se chamam. Irmã mais velha, irmão mais velho, cunhada, mamãe, o Pai. Apesar de assistir muitos dramas e filmes coreanos, ao ler precisei de mais atenção para lembrar quem era quem no início. Ligar nome a função.

Como esperado, ao contrário dos livros ocidentais, esse não tem um final feliz. Mas para mim, é uma reflexão. Será que damos valor ao que importa, será que prestamos atenção às necessidades dos nossos entes queridos, que persistimos nos nossos sonhos ou desistimos deles ao menor sinal de problemas? Ao final da leitura me vi apaixonada por essa senhorinha, forte e determinada que apesar dos pesares, sempre lutou pelo que achava ser o correto.

Como esse desafio pede também uma receita, decidi que farei 불고기(Bulkoki). Parece bem gostoso, é não tão complicado como as outras. Claro que com arroz! Eles falam tanto em arroz no livro que ontem comi um prato de arroz puro à tarde. Fiquei com vontade. Realmente, a premissa dos doramas se aplica aos livros também. Fome, dá fome!


6 de fevereiro de 2014

RESENHA: A Sexta Mulher - Suzannah Dunn


Diversidade Literária 2014
02/12 - Romance Histórico

A Sexta Mulher - Suzannah Dunn

Esperava algo totalmente diferente pela sinopse e título. A primeira vez que me deparei com este livro foi quando procurava algo sobre a corte dos Tudor, em especial sobre as mulheres da vida de Henrique. Havia lido sobre Catarina de Aragão, Ana Bolena, Jane Seymour, Ane de Clèves e Catherine Howard, mas nada sobre Catherine Parr, aquela que sobreviveu aos anos finais da vida de um dos reis mais insanos e implacáveis que a Europa teve o desprazer de conhecer.

Não que seja ruim. Mas eu esperava uma narrativa em primeira pessoa, ou em parte ao menos dessa personagem. O que acontece no lugar é o ponto de vista da amiga Catherine 'Cathy' Suffolk. A duquesa que era sua amiga de infância segundo alguns e segundo o livro, que foi contra, desde o início às decisões que levaram Parr a morrer em decorrência do parto. 

Não gostei de a autora retratar essa mulher tão cheia de atitude, que apesar do medo que qualquer uma teria ao ser indiciada a ser Rainha da Inglaterra ao lado de Henrique VIII, deu a cara a tapa e foi em frente, se tornando uma das rainhas mais queridas pelo povo e ganhando o respeito da corte, dos enteados e principalmente do próprio rei. Até Mary, que apesar de abertamente condenar esse casamento como todos os outros além do primeiro, a suportava. Dentre todas as rainhas essa foi a menos insultada pela futura Bloody Mary.

Achei muito interessante ela ter colocado a duquesa e Thomas Seymour como amantes. É uma boa explicação para a tensão que se diz ter havido entre as duas mulheres, que a amizade era na verdade um coleguismo. Faz sentido já que tinham ficado tanto tempo longe uma da outra e retornaram a amizade com o escandaloso casamento de Parr e Seymour. Para mim seria como: 'Mantenha os amigos por perto e os inimigos mais perto ainda.' Acredito que Cate Parr estava realmente apaixonada por Thomas desde sempre, e que eles planejavam se casar quando ela recebeu a notícia que seria rainha. Ninguém em sã consciência negaria algo à Henrique VIII. 

Portanto, por mais escandaloso que possa parecer talvez tenha sido mesmo um chute no balde, a sensata e experiente mulher, esperou apenas um mês para se casar com Thomas. Ainda mais se ele realmente andava dando aqueles foras de cortejar Elizabeth. Casou por amor, cometendo assim o maior erro de sua vida. Dunn retrata os últimos momentos de vida de Parr de forma bem interessante. Achei crível ela ter tido tanta lucidez (mesmo que encarada como delirante), alguém com tanta força e inteligência como ela iria querer expurgar tudo que guardava dentro de si como uma perfeita dama inglesa. 

Em resumo, é um bom livro em termos gerais. Retrata mais a situação familiar e pessoal que toda a tensão política que estava em voga. A própria Elizabeth foi retratada como uma adolescente frívola, o que me incomodou. Já a pequena Gray me deixou encucada, gostaria de saber mais sobre essa garota que foi rainha por 9 dias e que aos 10 anos já era mais eloquente que muitos dos adultos de sua época. Seu infortúnio foi estar no caminho de Bloody Mary.

4 de fevereiro de 2014

RESENHA: Só para convidados - Kate Brian (Exclusivo #2)

Livro Viajante
01/2014

Só para convidados - Kate Brian


Pude ler esse livro graças à boa vontade da Flávia Mattos que o disponibilizou para viajar na comunidade do skoob. Muito obrigada menina!

Nesse segundo volume, Reed Brennan já faz parte do cobiçado alojamento Billings, mas isso não assegura sua total aceitação, nem passe livre para todos os acontecimentos importantes que rondam a escola.

Thomas, seu namorado está desaparecido e ao que tudo indica, nunca faltaria à mas badalada festa dos jovens ricos: A Legado. Festa exclusiva aos jovens pertencentes às famílias tradicionais e seus convidados. Achando que somente assim poderá rever o garoto, Reed será capaz de tudo para conseguir um convite.

O enredo gira em torno basicamente das tentativas dela de conseguir entrar na festa e de sua obsessão por saber do paradeiro de Thomas, ela se vê cercada de olhares e de desconfianças acerca de quanto ela sabe. A exemplo do primeiro, teve um início arrastado, com muita lenga lenga e diálogos desnecessários. Foi necessário 1/3 do livro para a autora chegar no que realmente interessava. Minha sorte é que os capítulos são relativamente curtos,então o esforço era menor para prosseguir. Essa enrolação tem se repetido em algumas sagas/séries que acompanho. Uma tendência que me desanima.

As meninas do Billings continuam perversas e previsíveis. Depois de tudo que ela passa no primeiro livro, acreditava que Reed tinha ficado mais esperta, mas nada disso. É difícil falar disso sem revelar muito do enredo. Mas acredite, é tão óbvio o que está acontecendo ao redor dela, e mesmo assim ela não percebe. Não gostei muito do personagem novo, Walt Whittaker. Um cara na posição dele deveria ser mais esperto, mais extrovertido e safo. Mas achei ele meio bobão. Isso mesmo, bobão.

Quando a tal festa finalmente acontece eu esperava mais. O burburinho é tanto, e algo da magnitude dessa festa deveria ser mais bombástico. Pareceu apenas mais uma festinha com adolescentes ricos. Nada que exalasse 'exclusividade' e a necessidade de tanto segredo. Os segredos revelados e as interações entre os personagens antes e depois da festa foram, na minha opinião, muito mais interessantes, desconsertantes e calamitosos que a festa em si.

Não esperava o que acontece no último capítulo, talvez ingenuidade minha, mas ainda sim me pegou de surpresa e como no primeiro livro, fiquei ansiosa para ler a continuação.

3 de fevereiro de 2014

RESENHA: Fogo - Maya Banks (Breathless, #3)

Leitura extra
05/??

Fogo - Maya Banks


Disse que ia dar um tempo, mas nem dei. Minha curiosidade acerca do meu personagem favorito da trilogia me venceu. Ash McIntyre não me decepcionou. Confirmou meu favoritismo e o aumentou. Depois dele, os outros dois pareceram adolescentes cheios de hormônio.

Josie Carslyle é perfeita para ele. Mais velha que as demais, Josie tem 28 anos, é independente, corre atrás do que quer, ter independência financeira a partir de seu trabalho como artista. Diferente de Mia e Bethany, ela tem experiência como submissa, quando conhece Ash, usava sua coleira. Mas isso não é um problema para o homem, que sabe o que quer e sempre consegue. 

Ash, mesmo quando faz algo idiota e babaca consegue ser incrível. Não tem como ficar com raiva dele, ou não o perdoar. Ele está acostumado a ter tudo exatamente como deseja, mas isso não o impede de pedir desculpas quando se vê errado. Admitir o erro é extremamente sexy.

Identifiquei-me com Josie por conta da postura dela perante ao relacionamento dela com Ash. Ela diz mais de uma vez para ele que não precisa ser sustentada por ele, não está com ele por seu dinheiro, está porque quer. Ser submissa a Ash foi uma escolha e não uma necessidade. 

Outra mulher aparece na vida de Ash nesse livro, sua irmã, Brittany. Ela decide se afastar da família e começar do zero, ser autossuficiente. Procura ajuda no irmão e apesar de ficar desconfiado das intenções de Britt, ele a ajuda. Arruma um lugar para ela ficar, um emprego no Bentley e dinheiro para iniciar a vida até seu primeiro salário.

Nesse livro acontece outra noite das meninas. Maya conseguiu superar a cena de Delírio, me fez rir muito. Caroline agora está noiva e elas saem para comemorar a boate de sempre sob os olhos sempre alertas de seu noivo. Britt vai junto e acaba lá encontrando seu dominante: Kai, dono da boate. Gostaria de ver esse relacionamento se desenvolvendo, Maya poderia nos agraciar com mais um livro.

Houve algumas repetições de situações desnecessárias, creio que seria possível chegar ao mesmo resultado de outras formas. Ficou bom, mas previsível. Volto a dizer: Quero um Ash McIntyre para chamar de meu.

1 de fevereiro de 2014

RESENHA: Delírio - Maya Banks (Breathless, #2)

Leitura extra
04/??

Delírio - Maya Banks

Não aguentei esperar e resolvi ler o segundo da trilogia de uma vez. Acabou sendo bem diferente do que eu esperava que seria. Esse é mais romântico. Cinderela apimentado.

Dessa vez o bilionário a ser arrebatado é Jace Crestwell. Logo no início quando Jace é apresentado como protagonista eu realmente achei que ele era muito mais dominador e impetuoso que Gabe no primeiro. Mas conforme a leitura discorre ele se prova mais autoritário que dominador propriamente dito.

A mocinha da vez é Bethany Wilis. Detestei o nome! Coisinha brega. A impressão que tive dela quando aparece é que seria bem diferente de Mia. Mais forte, decidida e independente. Pensei que ela seria mais confiante de si mesma. Doce engano. Ela consegue ser mais patética ainda. Tudo bem que ela tenha uma vida difícil, complicada e cheia de problemas. Mas nada justifica a síndrome de Patinho Feio e a excessiva vitimização que ela mesma se cerca.

Só penso que se alguém viveu em lares adotivos temporários e nas ruas de Nova York por toda a vida, deveria ser no mínimo mais safa. Claro que ter um cara como Jace do lado, querendo fazer tudo, facilita, qualquer mulher abriria mão de parte da independência em troca dessa segurança. Mas, Deus! Ela ficava 80% do tempo amedrontada e o tempo todo sendo descrita pelos personagens como frágil. Mia até cresceu no meu conceito depois dessa.

As cenas entre quatro paredes foram mais amenas que em Obsessão, mesmo depois que Jace declara a si mesmo que está no limite e não vai mais se segurar. Outra coisa que não entra na minha cabeça é esse amor à primeira vista, que muda o jeito de ser em 360 º de um cara que passou os últimos 18 anos participando de menáges.

Apesar de tudo isso, gostei de várias passagens, ri a beça em várias passagens, ainda mais que no volume um. Quando Bethany vai com Mia e as outras meninas para a boate, e elas dançam loucamente, bebem além da conta e ela volta tropeçando e acaba invertendo os papeis na cama com Jace foram impagáveis. Foi o único momento em que não quis dar um tapa na cara dessa mulher.

Meu carinho por Ash aumentou. Espero veementemente que a garota que vai virar o mundo dele de ponta a cabeça seja incrível. Ele merece. Se for uma mais ou menos como a Bethany vou ficar muito puta. Quero muito ler, mas não terminei esse volume com tanta vontade como o primeiro, dá para esperar.

Resumo, quem curte literatura erótica mais seca e direta, passe longe desse livro. Inclusive pois o final é digno de novela mexicana. Como eu gosto de um melodrama, não me importei. Mas conheço gente que jogaria o livro pela janela ou o e-reader na parede. Se não quer se arrepender depois, não leia.